1949 - 10/02 - De madrugada, Jair Soares é chamado
ao portão de sua residência. Chovia torrencialmente.
Indo atender, defrontou-se com a presença de três
visitantes.
Um deles se identificou como Francisco Peixoto Lins (Peixotinho)
que constrangido, escusou-se por estar ali em hora avançada,
conseqüência do atraso do trem que lhes trouxera do
Rio de Janeiro.
Apresentou em seguida os companheiros: Inácio Rodrigues
da Silva (Marechal) e a jovem Laura. Eles vinham pedir hospedagem
por indicação de Raniéri, que afirmava ser
o lar da família Soares uma verdadeira pensão da
fraternidade. Falando a respeito da viagem, Peixotinho esclareceu
que, na manhã seguinte, partiriam para Pedro Leopoldo,
para se entrevistar com Chico Xavier.
Dona Elvira, mais conhecida como Ló, encontrava-se já
recolhida em seu aposento, por isso, o próprio Jair preparou
os leitos para os inesperados visitantes. De manhã, foram
apresentados a Ló, que dirigiu-se à cozinha para
preparar o café.
Os visitantes e o anfitrião conversaram, acomodados em
torno da mesa da copa, quando Peixotinho acompanhado com os olhos,
os movimentos da senhora fez singular meneio com a cabeça.
Jair percebendo, interrogou-o, ao que ele respondeu:
- Ah! Agora percebi o porquê da nossa presença em
seu lar. Visitar Chico foi mero pretexto da Espiritualidade para
que estivéssemos aqui.
Vejo o nobre Espírito Scheilla, com o rosto próximo
ao de sua companheira e dizendo-me:
"Essa é uma irmã muito querida do meu coração,
precisando de tratamento, Jesus vai permitir que a curemos. Irmã
Scheilla pede-me para não ir a Pedro Leopoldo e realizar
uma reunião mediúnica neste lar. Tal fato sensibilizou
o casal Soares devido o doloroso drama familiar.
Assim foi que aconteceu, em 11/02/1949, inesquecível reunião
de ectoplasmia, com notáveis fenômenos de efeito
físico.
Ló curou-se e desencarnou 22 anos depois.
A residência da família Soares tornou-se o centro
da atenções de grande parte da comunidade espírita
brasileira em decorrência dos extraordinários fenômenos
que ali passaram a ocorrer. Espíritos que se manifestaram
na época: Joseph Gleber, Scheilla, Fritz, Palminha, José
Grosso, André Luiz, Garcez, Sads, Maria Alice e tantos
outros.
Tais fenômenos ocorreram até o final de 1949 e menos
extensivos daí por diante, por determinação
da própria Espiritualidade, pois, importava doravante não
somente a materialização do espíritos, mas
notadamente as conseqüências da presença deles
por múltiplos processos e de forma a despertar-nos para
um modo diferente de viver.