TARDE DO CONHECIMENTO: DISSECANDO A OBRA “NO MUNDO MAIOR”

Apesar do pioneirismo em outras décadas já vencidas, o século XX borbulhava de pesquisas e estudos aprofundados acerca dos 

fenômenos espíritas. A relação do Espiritismo com a psiquiatria após longos anos de entraves, finalmente chegava aos tempos em que novos esclarecimentos aproximavam as duas linhas de raciocínio, que de excludentes iniciavam o reconhecimento da complementariedade que ali, na verdade, sempre existiu.

Diversas e significativas foram as contribuições filosóficas e científicas que propiciaram a necessidade de “contrabalançar” as divergentes: as fundamentadas pelos sistemas materialistas, em contrapartida aos fenômenos mentais, espirituais e morais trazidos pelo espiritismo. E neste interim, em 1947, envolto de toda humildade e simplicidade notáveis, Francisco Cândido Xavier contribui com suas perfeitas disposição e caridade, através da psicografia e publicação da obra “No Mundo Maior”, o quinto de treze livros da coleção “A vida no mundo espiritual”, fraterna e didaticamente ditados pelo espírito André Luiz.

Nesta obra, André Luiz contribui à sociedade, com abordagens sobre a percepção e entendimento do plano espiritual acerca da complexidade da mente humana, relatando fatos e situações sobre as inclinações que nós frequentemente nos sujeitamos entre
os sentimentos antagônicos de felicidade e infelicidade; relata alguns fenômenos que comumente nos acontecem aos encarnados,
como a epilepsia, a esquizofrenia, os desequilíbrios sexuais, dentre outros temas inteiramente ligados a mente, que são trazidos
na obra como grandes revelações para qualquer campo de abordagem e estudo.

Mediante a importância da obra, notados os assuntos e revelações latentes nos dias atuais, a divulgação, estudo e entendimento faz-se uma máxima para a comunidade espírita, e além, para todo e qualquer interessado em conhecer esse “ambiente complexo” que denominamos “mente” e seus reflexos para a sociedade.

Neste entendimento, é com grande alegria e satisfação que a Mocidade Espírita Maria João de Deus (MEMJD), proporcionará junto aos jovens desta casa uma “Tarde do Conhecimento”, com um estudo voltado para o objetivo principal de despertar o interesse dos jovens pelo assunto e pela obra, ao mesmo passo que traz grandes revelações embasadas na riqueza de detalhes e esclarecimentos oferecidos pelos relatos de André Luiz.

O evento aconteceu no salão principal do Centro Espírita Oriente, no horário em que normalmente acontecem todos os sábados os encontros da MEMJD, iniciando às 16h30, na tarde do dia 26 de agosto de 2017. Os jovens da casa já vinham se preparando para o evento, seja com as perguntas para seus próprios esclarecimentos, ou seja lendo a obra, para que o estudo possa esclarecer os termos de maior complexidade, tudo sempre a acrescentar!

Membro frequente da MEMJD, Thiago Silveira já leu todos os livros da obra “A vida no Mundo Espiritual”, mas decidiu reler “No Mundo
Maior”, e informou que pretende “identificar comportamentos, pensamentos e hábitos que carregamos de forma automática, para assim
poder combater aqueles que forem negativos”.

Não obstante a perspectiva de conseguir identificar e trabalhar as dificuldades, Silveira espera que a “Tarde do Conhecimento” possa
trazer muita satisfação aos participantes, despertando o interesse pelo aprendizado e crescimento espiritual de todos.

Nagôila Boaventura, também membro da MEMJD, disse não ter lido o livro “No Mundo Maior” ainda, mas já sabe do assunto que a
obra vem tratar, o que desperta sua curiosidade e interesse, por identificar alguns aspectos particulares que talvez possam ser esclarecidos. Ela disse considerar o assunto muito complexo, e por isso espera que a Tarde do Conhecimento possa lhe esclarecer e despertar mais interesse em estudar e aprender com os ensinamentos trazidos pela doutrina, e dessa forma reitera que gosta muito da ideia do evento, justamente para que temas inicialmente pouco aprofundados possam facilitar a oportunidade de uma proximidade e alcance maior daqueles que inicialmente ignoram o assunto, seja da comunidade espírita ou não.

Enfim esperamos que o evento possa destacar a instrução imperativa “instruí-vos!”, e que cada um possa extrair a revelação, esclarecimento e entendimento que lhes aprouver do estudo, de forma a perceberem que a ciência e a religião se complementam e nos impulsionam para a evolução almejada.

Gabrielly Martins
(Colaboradora do Ciclo 3 da MEMJD)

No Santuário da Alma

As elucidações de Calderaro enchiam-me de respeito pelos fundamentos morais da vida. Compreendia agora a impossibilidade de
uma psiquiatria sem as noções do espírito. Lembrou-me a luta secular entre fisiologistas e psicologistas, disputando a norma de socorro aos alienados mentais. Mesmer e Charcot, Pinel e Broca desfilaram ante minha imaginação, enriquecida de novos conhecimentos.

A interrupção das digressões do Assistente não durou muito. Devo, na verdade, consignar que, desde a primeira hora de nossas conversações, tais intermitências se fizeram habituais, parecendo-me que Calderaro intencionalmente me proporcionava tréguas para ruminar-lhe os conceitos.

Respondendo-me às intimas ponderações, continuou:

— Impossível é pretender a cura dos loucos à força de processos exclusivamente objetivos. É indispensável penetrar a alma, devassar o
cerne da personalidade, melhorar os efeitos socorrendo as causas; … … …

(Do livro No Mundo Maior – cap 8 – Edições FEB)