Para melhor cooperar

Em nossa vida comum, estamos sempre em sintonia com as correntes mentais daqueles aos quais nos assemelhamos.

Toda criatura absorve se m perceber a influência alheia da mesma forma que emite suas próprias vibrações. Por isso, a advertência amorosa do Divino Mestre: “ORAI e VIGIAI”1.

“A ORAÇÃO consiste na elevação do pensamento a Deus” e a três coisas devemos nos propor por meio dela: louvar, pedir e agradecer2. O foco de nossas preces deve ser o que Jesus propõe no “Pai Nosso”. Nas súplicas que fazemos a Deus, devemos acima de tudo pedir a Ele visão para enxergarmos as nossas necessidades de melhoria e forças para que consigamos implementá-las em nossa intimidade, renovando-nos continuamente3.

“A prece é o orvalho divino que aplaca o calor excessivo das paixões. Filha primogênita da fé ela nos encaminha para a senda que conduz a
Deus”4.

Deus em sua misericórdia possibilita que, pela mente, nos comuniquemos com quem sintonizamos e auxiliemos a quantos desejarmos. Assim, quando não for possível mudar para melhor a trajetória da vida dos entes queridos, através da prece poderemos emitir energias benéficas capazes de apaziguar as tempestades íntimas e incentivar-lhes a dar um passo adiante rumo à vitória. Por isso, Jesus nos disse: “Pedi e dar-se vos-á; buscais e achareis…”5. Lembrando sempre que receberemos de acordo com a vontade do Pai, que conhece nossas necessidades reais, nossos méritos e acima de tudo ocupa-se com a harmonia e a felicidade de nossas vidas.

O Bem Eterno é a Lei Suprema; mantenha-se no bem e a vida se lhe converterá em fonte de bênçãos6.

Jesus se coloca como o Bom Pastor e a nós como as suas ovelhas. O ideal é que fiquemos próximos ao Pastor para que estejamos sob
a sua proteção. Entretanto, vale lembrar que à margem do caminho, por onde Ele nos conduz, podem aparecer outros campos mais verdejantes e atraentes, mas que não estão sob a sua guarda. Por invigilância e no anseio de atender aos nossos desejos, corremos o risco de nos deslocar para esses lugares, ficando presos nas garras do lobo devorador. Por isso, devemos manter a VIGILÂNCIA para não deixar que a ilusão nos desvie do caminho.

Os equívocos por nós acalentados em vidas passadas, quando encontram campo de fluência e incentivo, podem voltar a tona induzindo a repetição sistemática dos erros até que nos cansemos e decidamos procurar outros ares mais amenos. “Por isso, quem não se habilite a conhecimentos mais altos, quem não exercite a vontade para sobrepor-se às circunstâncias de ordem inferior, padecerá, invariavelmente, a imposição do meio em que se coloca”7.

Jesus nos adverte sobre a importância de vigiarmos as nossas críticas em relação às posturas dos outros, vejamos: “E por que tens
de olhar o cisco no olho do teu irmão, e a trave que está no teu olho não a reparas? Ou como dizer a teu irmão: Espera! Vou tirar o cisco
do teu olho. É no teu olho que a trave está! Homem de juízo pervertido, tira primeiro a trave do teu olho, e então enxergarás direito
para tirar o cisco do olho do teu irmão”8.

“Quando nos detemos nos defeitos e faltas alheias, o espelho de nossa mente reflete-os de imediato, como que absorvendo as imagens
deprimentes de que se constituem, colocando nossa imaginação a digerir essa espécie de alimento que mais tarde se incorporará aos
tecidos sutis de nossa alma. Com o decurso do tempo nossa alma passa a exprimir o que assimilara e é por essa razão que geralmente
os censores do procedimento alheio acabam praticando as mesmas ações que condenam no próximo. Porquanto, interessados em reparar as minúcias do mal, absorvem-lhe inconscientemente as emanações, surpreendendo-se, um dia, dominados pelas forças que o representam”1.

Estejamos convictos de que os nossos companheiros, na Terra ou além, são aqueles que escolhemos com as nossas solicitações interiores, mesmo porque, segundo o antigo ensinamento evangélico, “teremos nosso tesouro onde colocarmos o coração”9.

“Se nos devotamos ao convívio com pessoas operosas e dinâmicas, encontramos valioso sustentáculo aos nossos propósitos de trabalho e realização. Trabalhando e servindo, aprendendo e amando, a nossa vida íntima se ilumina e se aperfeiçoa entrando gradativamente em contato com os mensageiros do bem e do amor, sendo por eles influenciados e recebendo deles oportunidades redentoras de cooperação
se nos posicionamos como almas abnegadas”7.

Jesus nos ensinou pelo exemplo de servir ao próximo e nesta seara convoca trabalhadores que não apenas sejam oradores de fala habilidosa, mas que acima de tudo apresentem mãos ágeis. Além de pensar no Bem é preciso falar do bem e transformar as palavras em ações bem delineadas a serviço da paz, da esperança, da caridade, do amor e da fraternidade.

Antonio Ferreira dos Santos Neto
(1Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier. Pensamento e Vida, lição 8; 2Allan Kardec. O livro dos Espíritos, questões 649 e 659; 3Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier. Renúncia, cap. VI; 4Allan Kardec. Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 27, item 23; 5Mateus 7:7; 6André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier. Respostas da Vida; 7Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier. Roteiro, cap. 26; 8Mateus 7:3 a 5; 9Mateus 6:21)