A proximidade do Reino dos Céus

Alertou-nos, o Batista: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mt 3:2).

Arrependei-vos, porque está próximo o reino
dos céus (Mt 3:2).

Próximo, como medida de tempo ou como medida de espaço? Questão intrigante e que merece ser refletida.

Antes, corroborando o ensino transmitido pelos Espíritos de que o orgulho e o egoísmo são o maior obstáculo ao progresso (q. 785, LE), entendamos o porquê de João eleger o arrependimento como o primeiro passo a ser dado para nos aproximarmos do reino dos céus.

Arrependimento é uma palavra de origem grega (metanoia) que significa conversão, conversão essa que nos dirige ao progresso, primeiro intelectual e, depois, moral, embora o segundo não siga, sempre imediatamente, ao primeiro (q. 780, LE).

O arrependimento é, por assim dizer, uma reação espiritual para os atos intelectuais e morais praticados no grande ontem. Pode se traduzir como sendo uma mudança de direção psíquica, e/ou de atitudes, e/ou de temperamentos; retrata ainda um caráter trabalhado e evoluído. Em síntese: arrependimento quer dizer mudança de atitude, ou numa única palavra, progresso.

João Batista – João, do hebraico, significa agraciado por Deus; Batista, aquele que purifica –, nos convida ao arrependimento, ou seja, a promovermos uma mudança de faixa vibratória, de padrão psíquico e a valorizar os tesouros espirituais a fim de nos vestirmos com a túnica
nupcial para o grande festim de bodas (Mt. 22:1-14), para o tão esperado e necessário encontro com Jesus.

Notem que quem nos conclama a uma mudança de rumo (ao arrependimento), é aquele que, agraciado por Deus, purifica: João Batista.
Mas, e a proximidade do reino dos céus? Tempo ou espaço?

Embora a proximidade possa ser traduzida, utilizando-nos de uma interpretação literal, por uma ideia de tempo, entendemos que aqui
deva ser traduzida e acolhida como nos revelando uma dimensão de espaço-tempo. Espaço e tempo concebidos em conjunto.

Nesse diapasão, o arrependimento é um acontecimento no espaço-tempo; é o evento que nos aproximará do reino dos céus.

A proximidade do reino dos céus, sob essa perspectiva, não deve ser interpretada como “breve”, mas por “breve e perto”, pois está direta e
proporcionalmente condicionada pela pureza dos nossos corações e pela retidão de nossas intenções, ou seja, por nossa sublimação espiritual, por nosso progresso.

Embora o reino dos céus esteja dentro de cada um de nós, adentrá-lo exige trabalho, esforço, perseverança, resignação, esperança e fé!
Exige que tomemos outra direção e que nos esforcemos para entrar pela porta estreita (Mt 7:14), pois este é “o caminho, e a verdade e a
vida” (Jo 14:6).

Desejamos a você, caro irmão, cara irmã, uma boa caminhada e uma boa aproximação! Jesus lhe aguarda, de braços abertos, no reino dos céus, que “fica pertinho”, do outro lado da porta (estreita).

José Márcio de Almeida
Escritor e conferencista espírita