Jair Soares – Um pioneiro do Movimento da Fraternidade

“Roteiro Espírita” vistiou o Grupo da Fraternidade Irmã Ló e fez a seguinte entrevista com o irmão JAIR SOARES a respeito da história do Grupo da Fraternidade Irmã Scheilla (atualmente Grupo da Fraternidade Espirita Irmã Scheilla), cuja constituição praticamente conduziu:

R.E.: Jair, de onde veio o nome “Grupo da Fraternidade”?

JAIR SOARES: O nome do Grupo da Fraternidade foi trazido pelos Espíritos em reuniões em que eles se materializaram e focalizaram o assunto.

R.E.: Quando o “Grupo” começou a realizar reuniões no Centro Espírita Oriente?

JAIR SOARES: Numa primeira fase, começamos com o “Grupo de Estudos Monsenhor Horta”, em minha residência. Funcionamos assim até 1949, quando houve o contato com a Espiritualidade, por meio da materialização. Nessa ocasião, conhecendo o Espírito Scheilla, mudamos o seu nome para “Grupo Espírita Irmã Scheilla”. Fomos consultar à Espiritualidade sobre o nome “Fraternidade”, quando se começou o ‘Movimento da Fraternidade” , embora de forma apenas prática, não oficial, portanto. Criada uma base, constitui-se o Grupo da Fraternidade Irmã Scheilla”.
Então suas reuniões públicas passaram a ser feitas no Centro Espírita Oriente, às 5ª feiras, com aquiescência da direção do Centro, cujos membros, aliás, eram elementos já também ligados ao “Scheilla”. Na ocasião, o Centro Oriente era dirigido por uma União Diretora. Eu fazia parte dessa União Diretora, juntamente com o nosso irmão Demóstenes Rodrigues e um terceiro, que, se não me engano, era o Pedro Ziviani.

R.E.: De que natureza eram as reuniões mediúnicas realizadas no Grupo Scheilla?

JAIR SOARES: De Efeitos Físicos.

R.E.: Desde o principio ou depois de certa fase?

JAIR SOARES: Depois de 1949, elas passaram a ser feitas com esse objetivo, por orientação da espiritualidade.

R.E.: Quer dizer que durante um período de 2 a 4 anos, trabalhava-se como se fosse tratamento de enfermos; sem materialização?

JAIR SOARES: Sim. Com a vinda aqui do nosso irmão Peixotinho, ocorreu a 1ª reunião de materialização, ocasião em que tomamos conhecimento do fenômeno. Naquela oportunidade, a nossa Ló foi curada de um câncer, que ela padecia, no pulmão. O Peixotinho esteve aqui no principio do ano de 1949. Desde aquela ocasião, por orientação do mesmo, passamos a nos reunir com finalidade de criar um ambiente propício para a Materialização. Isto ocorreu até julho de 1949, quando Chico Xavier nos indicou um rapaz que se chamava Fábio
Machado. Ele tinha condições muito positivas no campo da materialização. Com a presença dele aqui, quase que imediatamente o “fenômeno físico” surgiu.

R.E.: Como ocorreu a ideia da fusão do Grupo da Fraternidade com o Centro?

JAIR SOARES: foi por orientação da Scheilla. Ela entrou em contato espiritual com o irmão Uruguaiano, Dirigente Espiritual do Centro Espírita Oriente. Ela conseguiu a aquiescência dele para que o Centro passasse a fazer parte do “ Movimento”.

R.E.: Parece-nos que algum tempo antes, por volta de 1946, num encontro seu com o Ranieri, este, por orientação do espírito Altino, fez uma revelação sobre um trabalho especial que estava reservado ao Grupo Scheilla. Que nos diz a respeito?

JAIR SOARES: Essa revelação foi na Praça Santa Tereza, hoje Praça Duque de Caxias. Era de madrugada. Nós estávamos sentados no meio-fio, num ambiente agradável, e conversávamos. O Ranieri me falou que o Espírito Altino estava informado que ali no Centro Oriente ia surgir um movimento de âmbito nacional, o que veio a se realizar bem depois. Essa revelação do Ranieri ocorreu, mais ou menos em 1946.

R.E.: Como se processaram os entendimentos para absorção do Centro pelo Grupo da Fraternidade?

JAIR SOARES: Não houve praticamente problema, porque a direção do Centro Oriente era constituída de participantes do “Scheilla”. Eu fui o último presidente do Centro Oriente, antes da integração ao Grupo Scheilla. Por sugestão minha, foi substituído o cargo de Dirigente pela União Diretora a que já me referi, atrás. Verifiquei que estava surgindo personalismo dentro do Oriente. Até ali, os Centros em Belo Horizonte eram conhecidos por Centros do fulano, do sicrano, etc. Quando senti que poderia surgir o problema de se falar em “Centro
do Jair” sugeri a criação da União Diretora, a fim de que fossem três os elementos a se projetarem na testa da Organização, evitando-se o individualismo.

R.E.: Qual ou quais Espíritos indicaram os membros da primeira administração do Grupo Scheilla?

JAIR SOARES: A indicação veio por intermédio do nosso Irmão Espiritual Joseph Glebber, como porta-voz do Espírito André Luiz.

R.E.: O Grupo Scheilla possuía uma filosofia de trabalho. O Centro Espírita Oriente, por sua vez, uma tradição de atividades executadas. Como se processou a adequação das atividades do “Centro” com a Filosofia do Grupo?

JAIR SOARES: Essa adequação acarretou muitas dificuldades com os encarnados, principalmente, na questão das reuniões, que tiveram que ser adequadas ao novo espírito do “Movimento”. Os que ainda faziam reuniões não privativas, reuniões mediúnicas de portas abertas, de doutrinação, não concordaram. Pouco a pouco eles foram se afastando. O Oriente pôde, assim, ser condicionado ao novo espírito de trabalho.

R.E.: Teria alguma colocação que considera interessante para esta matéria do nosso jornal?

JAIR SOARES: Podemos destacar a atuação do nosso irmão Luiz Ziviani, chamado carinhosamente de Vovô Ziviani. Ele sempre esteve bem sintonizado com a Direção Espiritual. Com o seu desencarne, foi substituído pelo nosso irmão Pedro Ziviani , que, por sua vez, tinha um bom relacionamento com os elementos antigos do Centro Oriente. Ele teve um trabalho muito valioso nessa ligação do Centro Oriente com o Grupo Scheilla. A concordância dele facilitou, em muito, o nosso trabalho.

R.E.: São quarenta e vários anos de aprendizado junto ao “Scheilla” e ao “Oriente” e agora no “Ló”, com assistência contínua dos Espíritos, nas reuniões de materialização e nas atividades mediúnicas e administrativas dos Centros. Como considera tal aprendizado e o que teria de imediato para nos oferecer?

JAIR SOARES: A experiência que nós temos é que, às vezes, no passado, em determinadas circunstâncias, a gente deveria ter tido mais tolerância. Deveria ter tido mais paciência, contar com o auxílio dos outros, para resolver determinados problemas, porque, na ansiedade de resolvê-los “de pronto”, encontramos maiores dificuldades justamente pelas surpresas causadas e a não aceitação de todos. Durante esse tempo, eu só valorizei a presença da Espiritualidade junto de nós.

R.E.: Agradecemos ao Jair por esta oportunidade de conhecer parte da história do Grupo da Fraternidade Irmã Schiella. Ao mesmo tempo, rogamos a Jesus que possa continuar abençoando-o pelas atividade que prossegue executando e executou, não só no que se refere ao Grupo Schieilla, como também nos labores que levaram à fundação da OSCAL e à consequente difusão do “Movimento da Fraternidade” por todo o Brasil. Pedimos ao Mestre Jesus que o ampare agora, em suas tarefas à frente do Grupo da Fraternidade Irmã Ló. Que sua experiência possa continuar sendo transmitida a outros companheiros do “Movimento da Fraternidade”.

JAIR SOARES: Nós é que agradecemos e lamentamos não poder corresponder melhor. Aplaudimos o gesto nobre do “ROTEIRO ESPÍRITA”, de buscar este velho e já cansado fraternista para levantar o histórico da Casa de Scheilla em Belo Horizonte, foco de luz de onde emanou o “Movimento da Fraternidade”. Obrigado e os votos de muito progresso no novo Jornal.

Entrevista com Jair Soares contida no antigo Jornal Roteiro Espírita (Grupo Scheilla) feita por Gil Ristane publicada nos anos de 1960.